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quarta-feira, 24 de junho de 2015

Claro como Coca - Que vida ingrata!!!

Quando cheguei no primeiro degrau da escada minha mãe e Lucas estavam sorrindo e me olhando. Lucas se despediu da minha mãe e foi andando a passos curtos para o carro do pai. Quando estava fechando a porta minha mãe disse:
- Use camisinha! - Ela disse isso só para me irritar, e depois riu da minha cara.
Depois de bater a porta com raiva, caminhei batendo o pé.

- O que aconteceu? Por que você está com essa cara de pimentão? -  Lucas perguntou sorrindo.
- Sua culpa. - Explodi. - Minha mãe acha que vamos tirar SUAS teias de aranha.
- Minhas?!!!! - Ele deu uma gargalhada alta e irritante o suficiente para me fazer socar seu braço. - Ai!!!
- O que você quer dizer com isso? - Disse ainda brava. - Quem tem casa de aranha aqui é você. - Ele continuou rindo. - Idiota. - Cruzei os braços e bufei.
- Não seria tão ruim assim. - Ele disse com os olhos brilhantes e um sorriso nos lábios.
- Para de graça Lucas, ou vou voltar para casa e não falar com você nunca mais. - Ele apenas sorriu e abriu a porta do carona para que eu entrasse, como bom cavaleiro que ele é, correu para trás do volante.

Eu tenho só 15 anos de idade, não tenho idade nem para beber, muito menos para fazer sexo.
Se bem que se fosse com o Lucas seria legal, porque 1)A gente se conhece a anos, 2) Ele conhece minha família, 3) Meus pais confiam nele, 4) Eu confio nele, 5) Cara!!! O QUÊ EU TÔ DIZENDO???
Ele é gay. Nem sente atração por mim. Que merda! As vezes eu não gosto de pensar.

- O que está te deixando tão quieta?
- Para onde podemos estar indo. - Menti. - Eu não quero dançar hoje. Meu corpo está todo doendo.
- Tudo bem! Se você não quer dançar, não precisa dançar. - Sua voz saiu como uma música bem tocada para meus ouvidos.
- Mas vai ser um prazer ver sua mãe, depois de tanto tempo.
- Hã?
- Hã, o que?
- Você disse que vai ser um prazer ver minha mãe.
- Ué, a gente não tá indo para o baile da terceira idade da sua mãe?
- Não! - O quê????
- Para onde estamos indo?
- É surpresa! - Ele sorriu.
- Você tá falando sério mesmo? - Ele afirmou com a cabeça. - Fala sério! Eu até coloquei o vestido que ela me deu. - Ele deu risada, tudo sem tirar os olhos da estrada que agora estava saindo do asfalto.
- Falando nisso, quando ela escolheu esse vestido eu pensei " que vestido sem sal ", mas olhando agora ele em você, está uma combinação perfeita. - Que legal, ele faz compras com a mãe.
- Isso só quer dizer uma coisa.
- Que eu não sei nada de moda?
- Não. Quer dizer que você é um gay que não sabe nada de moda. - Ele riu me fazendo sorrir.
-  Você tá rindo muito, viu um passarinho verde, foi?
- Vi sim. E foi passarinha, ta?! -Pergunta retórica eu não respondo.
- Pensei que você fosse gay.
- Pensou errado. - Certo. Será que ele tá me levando para conhecer o traveco dos olhos dele??? Não basta ser gay, tem que ser transsexual também?!
- A gente não vai se encontrar com ela não né?
-  De jeito nenhum. - Ele sorriu, mas uma vez.
- Lucas, para de respirar que você está me irritando.
-  O que que eu fiz? - Ele perguntou irônico.
Eu não sei... Boa pergunta!
...
Acho que o problema aqui sou eu, ou melhor, esse vestido verde que vai me lembrar a passarinha verde dos olhos do Lucas pelo o resto da minha vida.

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